segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Watts and Bits

Watt- Unidade de potência do Sistema Internacional cujo valor é definido pela energia consumida, em joules, por segundo.

p=E/1s

Bit- a mais pequena unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida, podendo ter valor 1 ou 0.

E agora perguntam-se vocês, leitores do meu blog: ao que vêm essas duas palavrinhas minorcas?
Pois bem, o que eu venho falar aos meus parcos leitores é algo a que quase se pode dizer que está omnipresente nestes tempos: sistemas informáticos.
Pois é, é algo a que qualquer pessoa que não viva numa caverna está sujeita a encontrar pela frente, a facilitar ou a complicar o seu modo de vida.
As coisas mais mundanas do século XXI como um telemóvel, uma porta automática, um sensor de intrusão (alarme, pronto) ou a Internet têm um sistema informático que regula as suas funções e as torna úteis para a sociedade.
O que acontece em tais sistemas é que, como para qualquer máquina, é necessária energia para os pôr a trabalhar. E, no que diz respeito a sistemas electrónicos, essa energia surge na forma de electricidade (a sério, não me digas?...).
E é disso que este post vai falar.
A pergunta que se coloca é: alguma vez imaginaram a quantidade de energia eléctrica gasta, por dia, para manter todos os sistemas informáticos do planeta (e mesmo fora deste) a trabalhar?
A resposta não podia ser mais simples.
MUITA.
IMENSA.
QUANTIDADES COLOSSAIS.
E de onde vem essa energia eléctrica?
Em larga maioria, das centrais térmicas.
Que dependem de CARVÃO.
PETRÓLEO.
GÁS NATURAL.
Montes e montes de CO2 que vão parar à nossa pobre e já saturada atmosfera.
A ideia a que pretendo chegar é esta: para simplificar a nossa vida, estamos a hipotecar o nosso futuro.
Destaco deste raciocínio dois factores.
Tomem os sistemas automáticos como exemplo. Estes sistemas estão prontos a operar quando surge uma condição a que isso obrigue. Imaginem uma porta deslizante de um qualquer hipermercado. Quando o sensor detecta algum objecto nas proximidades da porta, o mecanismo está preparado para agir em conformidade. A porta abre-se. Mas para tal é exigido ao tal sensor que se mantenha activo durante o tempo todo, consumindo energia. Embora a energia gasta no processo pareça insignificante, pensem nos muitos milhões de portas espalhadas por aí. Ok, num hipermercado portas deste género até são úteis (mantêm os insectos lá fora, ajudam a regular a temperatura interna, dispensam o espaço ocupado por uma porta normal e, sim, poupam uma pessoa a uma tarefa algo complicada que é tentar abrir uma porta quando se têm ambas as mãos com sacos pesados). Mas não se fiquem por aí. Pensem nos inúmeros sistemas que operam do mesmo modo por esse mundo fora, com uma função meramente comodista. Já começa a parecer muito, não é?
E agora algo mais incómodo. Falemos do intenso trânsito na auto-estrada da informação. A obra-prima do Dr Tim Berners-Lee.
A Internet.
Milhares de milhão de utilizadores. Biliões de sites com vídeos, músicas, imagens e (os tão queridos) pop-ups, downloads e uploads. Ziliões de bits transferidos por segundo, com consumo de energia por cada 1 que sai disparado.
Onde fica guardada tanta informação? Afinal de contas, o ciberespaço não é um universo paralelo. Exige espaço REAL. Já devem ter ouvido falar, por exemplo, dos enormes (e virtualmente desabitados) complexos que a Google tem construídos na Sibéria.
Muitos milhões de metros quadrados totalmente preenchidos com maquinaria electrónica. Arrays e mais arrays de discos rígidos. Diferenças de potencial eléctrico (voltagens, pronto) tão elevadas que uma pessoa pode morrer electrocutada à distância. Apesar de propositadamente construídos em locais inóspitos de tão frios, por cada watt processado nestes complexos é gasto meio watt no arrefecimento de toda a parafernália. Imaginem as quantidades cósmicas de energia consumida (não apontem o dedo apenas à Google, há mais corporações, não se esqueçam).
Agora vós ides pensar que estou a ser algo injusto. Afinal, no mundo actual, NINGUÉM sonha viver sem Internet (bem, sempre há alguns (ou, para ser brutalmente honesto, a esmagadora maioria dos seres vivos deste planeta, e assim ficam sem argumentos)). Não fosse esse mesmo ciberespaço e eu não poderia escrever isto aqui, certo?
Mas agora pensem naqueles indivíduos que infringem o código desta estrada. Aqueles que adoram enfiar material completamente dispensável onde querem.
VÍRUS, WORMS, TROJANS.
SPAM.
SITES E DOWNLOADS INÚTEIS.
MATERIAL DE (MUITO) POUCO NOBRES ORIGENS.
É aqui que reside o problema. Por causa de mentes algo (ou completamente) fúteis, a Internet sofre um esforço adicional e consome mais energia.
MUITO MAIS.
E todos nós, mais cedo ou muito mais cedo, iremos pagar a factura à Mãe Natureza.
E com juros.